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KixCar
18 ago. 2026
Honda City 2021 em São Paulo: quatro anos e 87.000 km sem rodeios
O que esperar depois de quatro anos com um City geração atual?
Se você está considerando comprar um Honda City 2021 usado em São Paulo ou quer saber se o seu aguenta mais alguns anos, a resposta curta é: sim, aguenta — mas com ressalvas que ninguém costuma mencionar no anúncio. Depois de acompanhar de perto um exemplar com 87.000 km rodados, trocas de mãos e vida real na capital paulista, tenho uma visão bem mais clara do que os testes de lançamento jamais entregam.
O City 2021 é um sedã compacto que a Honda vendeu bem no Brasil, especialmente nas versões EX e Touring com motor 1.5 aspirado de 126 cv. No mercado de usados paulistano, ele aparece hoje marketplace com preços entre R$ 78.000 e R$ 98.000 dependendo da versão e do estado — uma faixa relevante para quem quer um sedã com reputação de durabilidade sem pagar preço de zero.
Os primeiros 50.000 km: nenhuma surpresa, para o bem e para o mal
Nos primeiros anos de uso, o City 2021 entrega exatamente o que promete: confiabilidade Honda sem muito drama. O motor 1.5 aspirado com injeção direta combinada com injeção no porto — o chamado sistema dual injection — é eficiente e roda bem na cidade. Na Avenida Paulista em horário de pico, o consumo médio fica entre 7,5 e 8,5 km/l, o que é razoável para o tráfego paulistano.
O proprietário do exemplar que acompanhei, um profissional de TI que usa o carro principalmente entre Consolação e o ABC Paulista, relata que nos primeiros 50.000 km o único gasto não planejado foi a substituição de um sensor de oxigênio por volta dos 38.000 km — peça que custou em torno de R$ 420 num taller credenciado Honda na zona sul. Nada dramático.
A caixa CVT, que a Honda chama de Earth Dreams, é um ponto de atenção. Não quebra facilmente, mas exige respeito. O fluido de transmissão deve ser trocado entre 30.000 e 40.000 km em condições urbanas intensas — não nos 90.000 km que o manual sugere em condições ideais. São Paulo não tem condições ideais. A troca do fluido CVT em taller credenciado Honda sai por volta de R$ 650, e é dinheiro que vale muito a pena gastar antes dos problemas aparecerem.
Entre 50.000 e 87.000 km: onde o City revela seu caráter real
Aqui o bicho complica um pouco. Não muito, mas o suficiente para exigir atenção.
O primeiro ponto são os amortecedores. Por volta dos 70.000 km, o carro começou a apresentar leve embalo em trechos irregulares da Marginal Tietê — aquele tipo de movimento que você sente mais com passageiro traseiro do que sozinho. A troca do conjunto traseiro (amortecedores e batentes) custou R$ 1.100 com mão de obra numa oficina especializada em Honda na região do Tatuapé. Os dianteiros resistiram um pouco mais, mas precisaram de atenção aos 82.000 km, por R$ 1.350 o par com instalação.
O segundo ponto são as pastilhas de freio. A dianteira foi trocada pela primeira vez aos 55.000 km — durabilidade decente para uso urbano intenso. A traseira, que é tambor na versão de entrada mas disco nas versões EX e Touring, durou até os 75.000 km. Nada fora do comum, mas é um custo real que os calculadores de manutenção das concessionárias raramente antecipam com clareza.
Quero ser honesto sobre um aspecto que tende a irritar proprietários: a central multimídia original do City 2021, com tela de 8 polegadas, envelheceu mal em termos de software. O sistema trava com certa frequência e a resposta ao toque é visivelmente mais lenta que a de rivais atuais. Não é um defeito mecânico, não compromete a dirigibilidade, mas chateia. Alguns proprietários substituíram por unidades aftermarket compatíveis com CarPlay e Android Auto por R$ 1.800 a R$ 2.500.
O licenciamento e os custos que São Paulo não perdoa
Não dá para falar de custo real de propriedade sem mencionar o IPVA. Em São Paulo, o IPVA 2026 para um Honda City 2021 com valor de mercado em torno de R$ 85.000 representou aproximadamente R$ 3.400 anuais — com alíquota estadual de 4% calculada sobre a tabela da Fazenda paulista. Quem opta por parcelamento via CRLV (licenciamento anual) paga em até cinco cotas mensais, mas perde o desconto de 3% pelo pagamento à vista.
O DETRAN-SP exige que o CRLV esteja em dia para qualquer transferência de propriedade. Quem compra um City usado com CRLV vencido herda a multa de R$ 293,47 mais os juros sobre o IPVA atrasado — detalhe que aparece nas letras miúdas e custa caro na prática. Antes de assinar qualquer contrato de compra, consulte a situação do veículo diretamente no portal do DETRAN-SP.
A inspeção veicular no estado de São Paulo, conhecida como Inspeção de Emissões Veiculares, é obrigatória para carros com mais de três anos. O City 2021 passou sem problemas aos 87.000 km — o motor Honda tende a manter as emissões dentro do limite facilmente com manutenção em dia. O custo da inspeção em 2026 é em torno de R$ 110 em postos credenciados na capital.
Onde o City 2021 perde pontos frente à concorrência atual
Vou ser direto: se você está comparando um City 2021 usado com um Volkswagen Virtus 2023 ou um Chevrolet Onix Plus 2023 no mesmo valor, o Honda perde em espaço interno traseiro e no tamanho do porta-malas — 519 litros do Virtus contra 519 litros do City também, coincidência, mas a sensação de habitabilidade traseira favorece o Virtus na prática.
O motor 1.5 aspirado do City é mais refinado em rotações mais altas que o 1.0 turbo de rivais, mas perde na retomada em baixas rotações — exatamente o regime mais comum no trânsito de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Quem dirige muito em cidade vai sentir o turbo rival mais esperto nas ultrapassagens rápidas.
Isso dito, o City tem a seu favor um histórico de recall praticamente limpo nessa geração, uma rede de assistência Honda capaz em São Paulo e Curitiba, e peças ainda acessíveis no mercado de reposição independente. Um jogo de pastilhas dianteiras de boa procedência sai por R$ 180 a R$ 250 em qualquer loja de autopeças. Isso conta muito na hora de calcular o custo por quilômetro.
A recomendação final sem eufemismos
Se você encontrar um Honda City 2021 com histórico de manutenção comprovado, IPVA e CRLV em dia e menos de 90.000 km por um valor justo de mercado, compre sem medo — desde que faça uma vistoria prévia séria. Preste atenção especial ao estado do CVT, ao histórico de troca de fluido da transmissão e às emissões de fumaça no frio matinal. São os três pontos onde os problemas aparecem primeiro quando o carro não foi bem cuidado.
Não é um carro para quem busca emoção ou status. É um carro para quem precisa de quilômetros confiáveis em São Paulo, Curitiba ou qualquer metrópole brasileira com trânsito pesado e expectativa de longa vida útil. Para esse perfil, o City 2021 entrega. marketplace
Perguntas frequentes
¿O CVT do Honda City 2021 é confiável? Sim, mas exige manutenção mais rigorosa que o manual sugere em condições urbanas. Troque o fluido entre 30.000 e 40.000 km no uso intenso em cidade para evitar desgaste prematuro.
Quanto custa manter um Honda City 2021 em São Paulo por ano? Considerando IPVA, licenciamento, manutenção preventiva e pneus, o custo médio fica entre R$ 7.500 e R$ 10.000 anuais para um carro com uso urbano intenso de 20.000 km/ano.
O City 2021 passa na inspeção veicular de São Paulo? Sim, com manutenção em dia. O motor Honda naturalmente aspira com dupla injeção mantém emissões controladas. A inspeção sai em torno de R$ 110 em postos credenciados pelo DETRAN-SP.
Qual versão do City 2021 vale mais como usado? A versão EX oferece o melhor equilíbrio entre preço e equipamentos. A Touring tem mais conteúdo, mas o diferencial de preço no mercado de usados raramente compensa o que ela agrega em termos práticos.
O Honda City 2021 tem problemas conhecidos de fábrica? A geração 2021 teve recalls pontuais relacionados ao airbag do passageiro em lotes específicos. Consulte o CPF/CNPJ do veículo no portal da Honda Brasil ou no DENATRAN antes de fechar negócio.

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